Covid-19: lares de idosos – um texto do presidente das IPSS

Por Lino Maia

O Sector Social Solidário é o conjunto de 5.680 entidades e é representado por quatro organizações: União das Mutualidades, União das Misericórdias, Confecoop e Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS).

Emprega cerca de 340 mil trabalhadores e apoia cerca de 800 mil utentes (300 mil dos quais são Idosos).

Da CNIS, fazem parte 3.025 dessas entidades, nomeadamente Associações Mutualistas e Humanitárias, Cooperativas, Fundações e   Associações de Solidariedade Social, Casas do Povo, Centros Sociais Paroquiais, Institutos de Organização Religiosa e Misericórdias.

Neste conjunto das associadas da CNIS, 900 Instituições têm Lares, com Serviço de Apoio Domiciliário e Centros de Dia e algumas delas também têm Cuidados Continuados. Só no Continente são 847 Instituições e cerca de 50 nas Regiões Autónomas. Para além desses Lares de Idosos há, também, os Lares Residenciais, para pessoas com deficiência.

Associadas da União das Misericórdias são cerca de 380 Misericórdias, que, no seu conjunto, têm mais de 500 Lares, com Serviço de Apoio Domiciliário, Centros de Dia e Cuidados Continuados – várias têm mais que um Lar. Também muitas delas têm Lares Residenciais.

Portanto, no conjunto do Sector Social Solidário, considerando também a Confecoop e União das Mutualidades, haverá cerca de 1.500 Lares, com cerca de 80.000 utentes. Para além desses Lares do Sector Social Solidário há, também, Lares do Sector Lucrativo, muitos e alguns muito bons. E há Lares ilegais.

Olhando para estes números, que são reais, conclui-se que, afinal, talvez seja a existência de tantos Lares, dirigidos por tantos dirigentes voluntários e diligentes e acompanhados por tantos trabalhadores dedicadíssimos que se explica como em Portugal a crise provocada pela doença Covid-19 não esteja a fazer tantas vítimas como se temia. É muito mau que haja uma vítima, mas certamente muitas mais seriam se os idosos e as pessoas com deficiência estivessem emparedados pela solidão e abandono…

Os utentes dos Lares são a população mais frágil, na sua enorme maioria dependentes ou muito dependentes, muitos deles com um acidentado histórico de saúde.

Sem pré-aviso, mas compreensivelmente, foram proibidas as visitas aos Lares de Idosos e Lares Residenciais em 7 de Março.

Os idosos estão encerrados nos seus Lares há mês e meio…

Urge começar a anunciar que esta situação não é para eternizar, que vai ter um fim e, quanto possível, situá-lo…

Nos seus Lares, os Idosos apoiaram a abertura das portas das prisões e exultam com a anunciada reabertura de Creches e de outras atividades. Contam números que vão engrossando. Veem o tratamento que alguma comunicação social faz de Lares. Alguns foram ali abandonados, é certo, mas agora todos sentem saudades. Sentem o carinho e a dedicação dos trabalhadores nos seus Lares mas falta-lhes alguma assistência religiosa. Vão chegando algumas notícias dos seus familiares, mas precisam de um olhar, de um sorriso e de uma lágrima familiar que tarda…

São idosos mas precisam de perspetivas no horizonte.

Precisam que se lhes diga que, com os testes feitos, com as medidas de protecção adotadas, com a eventual desinfeção realizada, com os doentes tratados onde devem ser tratados e com os cuidados de todos, de uma forma moderada e tutelada, paulatinamente, algum dos seus familiares vai sorrir junto deles….