Mensagem (67): Recentralizações

Encontrei-me com um jovem estudante de História, a especializar-se no período da Reforma Católica, do século XVI. Entusiasmado, referia-me como a Igreja deu um enorme salto em frente centrando-se no que sempre constituiu a sua vida e espiritualidade: Confissão, Eucaristia, formação da fé. Jesuítas, o barroco, catecismos, etc. foram apenas meios para atingir esse fim.

Pois, é isso mesmo. Recentrar-se no fundamental deve constituir a preocupação máxima em todos os tempos. É que a história é longa e facilmente se privilegia um ou outro especto que parece importante, mas que só gera oscilação para a berma. Voltar a equilibrar a «barca de Pedro» e coloca-la bem no centro da rota que deve seguir é o desafio de todos os tempos.

E no nosso? Com a mesma urgência do século XVI, há que recentrar a vida crente na Eucaristia. Tal como no caso dos discípulos de Emaús, só a Missa de Domingo permite “reconhecer” o Ressuscitado na fração do Pão. Com dois derivados: salvaguarda, a todo o custo, do “Dia do Senhor”, que está a paganizar-se; e mais respeito pelos lugares sagrados, onde se encontra o Santíssimo Sacramento, também eles a «vandalizarem-se» no barulho e na falta de respeito, mormente por alturas das festas da catequese e dos casamentos. Mas não só…

Porque a vida cristã consiste numa proximidade de dois corações –o de Cristo e o do crente- há que fazer da oração pessoal o substrato dessa relação. Há que rezar mais, trazer Deus no pensamento, não ter vergonha de gestos públicos que testemunhem fé. E fundamentalmente, há que construir a vida espiritual com o mesmo critério da teologia: de joelhos. Sim, passar por uma igreja, entrar, dirigir-se ao sacrário, ajoelhar e rezar, solidifica a tal intimidade e exprime a espiritualidade cristã.

E há, também, que redescobrir o sentido fraterno da comunidade eclesial. Só há Igreja quando os pagãos são levados a dizer, como refere Tertuliano: “Vede como eles se amam”. Mas não há Igreja quando alguém tiver pretexto para dizer: “Vede como eles se criticam e dividem”. Não há Igreja quando se aproveita o anonimato, mormente o das redes sociais, para insinuar, maldizer, mentir, caluniar, destruir. Quem o faz é satânico, mesmo que comungue todos os dias. Sim, satânico, pois “o Diabo é assassino desde o princípio, mentiroso e pai da mentira”, garante Jesus (Jo 8, 44). A estes satânicos, o Papa Francisco chama terroristas-bombistas.

Eis um programa a implementar na quaresma. Possível, válido e urgente.

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