Cáritas Diocesana do Porto

Tendo como sua primeira atividade entre nós o acolhimento de crianças refugiadas, a Cáritas foi criada após a II Guerra Mundial. Logo aí, a resposta aos problemas sociais de maior gravidade foi imediatamente definida como uma das suas principais vocações.

Por Lino Maia

Na perspetiva dos valores do Evangelho, a Cáritas Diocesana do Porto assume como seus fins a promoção da caridade cristã, da cultura, da educação e da integração comunitária e social e, tendo como objetivo a promoção do bem-estar e qualidade de vida das pessoas, das famílias e das comunidades, especialmente dos mais pobres, dos excluídos e marginalizados, orienta a sua ação sócio-caritativa à luz da Doutrina Social da Igreja.

Agora presidida por Paulo Gonçalves, a Cáritas está a desenvolver a sua ação dentro de quatro eixos: “saúde para todos”, “emvolvimento dos jovens”, “empreendedorismo social” e “animação de grupos e definição de programas de formação”.

O envelhecimento da população é um obstáculo suplementar com que a Diocese do Porto se vem confrontando. Acresce que os apoios na área da saúde são escassos e, não raras vezes, representam a maior fatia de investimento financeiro dos grupos no serviço da caridade. “Saúde para todos”, da Cáritas, apoia os grupos sócio-caritativos no desenvolvimento da sua ação junto dos mais carenciados, atendendo nomeadamente situações de carácter urgente.

Para maior envolvimento dos jovens na pastoral sócio-caritativa é importante potenciar a sua participação ativa em iniciativas paroquiais e diocesanas e, ainda, encontrar estratégias de comprometimento e continuidade. A Cáritas promove ações de sensibilização e encontros de reflexão em escolas católicas e públicas e, ainda, junto de grupos paroquiais de jovens, como catequese e escuteiros. Também releva os contactos intergeracionais, nomeadamente ao nível do trabalho prático e de cooperação intergrupal, pondo em contacto grupos paroquiais constituídos por diferentes faixas etárias.

No âmbito do empreendedorismo social, a Caritas procura contribuir para aprofundar o seu estudo e a sua discussão com outras entidades de cariz diocesano e de âmbito nacional. No limite, envolver-se-á no desenvolvimento responsável de medidas que possibilitem a criação de projetos inovadores de pequena escala geradores de emprego.

A Cáritas está também em condições de definir grandes áreas de reflexão e formação, com vista à animação dos grupos paroquiais e à capacitação dos agentes da pastoral da caridade. Temas como Acolhimento, Atendimento, Comunicação, Cuidado, Envelhecimento, Saúde, Visita e Voluntariado são organizados em módulos, passíveis de adaptação às reais necessidades formativas de cada comunidade.

Numa síntese meramente indicativa, recorda-se que, ao longo do último ano, a Cáritas distribuiu 12.035 quilogramas de bens alimentares, 25.037 peças de roupa e um total de 10.081,88 euros (4.865,68 do “Fundo da Saúde” e 5.216,20 de “Prioridade às Crianças”), promoveu 257 visitas domiciliárias, fez 493 atendimentos sociais (nomeadamente com aconselhamentos jurídicos e médicos) e cedeu um conjunto de 416 ajudas técnicas, das quais faziam parte 180 camas articuladas e 109 cadeiras de rodas.

Ainda que tenha uma situação financeira e patrimonial estável, a sustentabilidade da Cáritas Diocesana do Porto deverá ser entendida como prioritária. Desde logo, porque as fontes de receitas são escassas, flutuantes e imprevisíveis. Com efeito, o Peditório Anual assume-se, desde há muito, como a sua grande fonte de receita. Acresce, porém, que, nos dois últimos anos, o resultado desse mesmo Peditório registou uma quebra na ordem dos 50%…

Neste ano, a Semana da Cáritas decorre entre 8 e 15 de Março. Para além da revitalização da sua Liga de Sócios e da promoção de uma rede de empresas solidárias, todos podemos e devemos apoiar e contribuir tanto nos peditórios de rua como nas colectas das Missas para que a Cáritas do Porto continue a ser o que tão bem sabe ser: amor e serviço, como expressão cultual e na evangelização.