D. António Barroso: a trasladação que Roma recomendou

A arquidiocese de Braga faz cumprir a vontade da Santa Sé, ao proceder, neste domingo, 17 de novembro de 2019, à trasladação dos restos mortais de D. António Barroso, missionário no antigo ultramar português e bispo na diocese do Porto.

A cerimónia é presidida pelo arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, e pelo bispo do Porto, D. Manuel Linda. Estes prelados integram um cortejo com familiares do falecido bispo missionário que sairá, pelas 4 horas, do cemitério da freguesia de Remelhe, no concelho de Barcelos. Nele será transportada a urna com os restos mortais de D. António Barroso que, durante 92 anos, esteve depositada na capela jazigo, junto à entrada daquele cemitério.

A urna será colocada agora no interior da igreja paroquial de Santa Marinha de Remelhe, num espaço especialmente preparado pelo arquiteto António Veiga Araújo, a fim de receber a visita dos devotos e admiradores do bispo missionário. É assim clarificada uma situação de potencial polémica, uma vez que o missionário de Remelhe enveredou pelos caminhos da Causa de Canonização, já aceite pelo Vaticano.

Outras trasladações se verificaram após a morte de D. António Barroso, ocorrida a 31 de agosto de 1918.

Por vontade expressa, deixada em testamento, o bispo do Porto decidiu regressar à sua terra natal. A urna foi transportada, em 4 de setembro, por caminho de ferro, para Barcelos. Velada na igreja matriz seguiu, no dia seguinte, num carro de bois, para o cemitério de Remelhe.

Em 1927, faz-se nova trasladação. Do modesto sarcófago da família, a urna de D. António Barroso é transferida para uma capela jazigo, da responsabilidade do arquiteto Marques da Silva e erguida, por subscrição pública do jornal O Comércio do Porto, dirigido por Bento Carqueja.

D. António Barroso foi missionário em Angola e no antigo reino Congo. Foi também bispo em Moçambique e Meliapor, na Índia, e na diocese do Porto, onde sofreu dois exílios durante a Primeira República.

Missionário cientista e missiólogo, no séc. XIX, D. António Barroso deixou linhas de orientação para a intervenção da Igreja Católica, nos territórios do Padroado português e no xadrez do mapa cor-de-rosa, no continente africano.

(inf: Manuel Vilas Boas, jornalista da TSF)