Jovens: rumo às JMJ 2022 com passagem por Taizé

Irmão David esteve no Porto.

É incontornável a importância e influência que a Comunidade Ecuménica de Taizé tem junto dos jovens da Diocese do Porto. No passado dia 23 de outubro, recebemos a visita do Irmão David, português que vive na Comunidade de Taizé. A igreja de S. José das Taipas encheu-se para o ouvir.

Começou por contar como se iniciou a Comunidade de Taizé, ainda antes da II Guerra Mundial, como sinal de esperança e luz em tempos escuros que a Europa vivia, uma “parábola de acolhimento”.  Toda a tradição monástica tem tradição de acolhimento, e foi esta a ideia que a comunidade quis implementar, desde o acolhimento em pessoas em risco (como atualmente acolhem refugiados) até ao acolhimento de milhares e milhares de jovens que procuram algum tempo de recolhimento em Taizé.

Até hoje continuam atentos aos sinais do mundo e de tantos que procuram recolhimento e acolhimento… perguntam-se até hoje “o que Cristo espera de nós?”. É esta a pergunta que até hoje  (se) fazem para continuar a responder aos apelos do mundo, (talvez) de um modo particular aos dos jovens. Taizé tem extamente isto para oferecer, um caminho de acolhimento, amizade e fraternidade.

Antes que a noite terminasse houve tempo para o diálogo com o Irmão. Muitos partilharam as experiências intensas de oração, retiro, silêncio, partilha e acolhimento que sentiram em Taizé. Muitos testemunham que lá descobriram a sua vocação, ou aquele tempo que lá estiveram ajudou a esse descernimento. São muitos os jovens e adolescentes, ainda, que procuram tirar algum tempo para fazer a peregrinção a este local de acolhimento em França.  “É uma experiência de amor e comunhão”, referiu uma jovem.

“Taizé ajuda a permancer (neste) no caminho (de descoberta; da descoberta de Jesus)”, referia outro jovems que já experienciou Taizé há alguns anos.

“A experiência (de desprendimento do superfulo) de Taizé ficou marcada para sempre em mim, no meu jeito de viver e estar.” – partilhou um dos sacerdotes presentes.

Irmão David despediu-se com pedidos de oração para tantas situações complicadas que vamos vendo e vivendo. Pedia-nos que nos mantivessemos assim abertos ao acolhimento e atentos ao mundo á nossa volta.

A Comunidade de Taizé é uma iniciativa cristã ecuménica fundada em 1940 na localidade francesa de Taizé, na Borgonha. Sua proposta é a reconciliação entre os cristãos e, por isso, é formada por membros católicos e protestantes de várias nacionalidades, cuja vida em comunidade se concentra na oração e na meditação cristã. A internacionalidade se manifesta na música e nas orações em muitos idiomas, incluindo cânticos e ícones da tradição ortodoxa oriental, por exemplo. A música é de estilo contemplativo e meditativo, composta de frases simples dos Salmos ou de outros trechos bíblicos. Além dos membros residentes, a comunidade recebe jovens de todo o mundo, todas as semanas, para participarem da vida na comunidade.

Chega a haver grupos de até seis mil pessoas por semana, especialmente durante o verão. Estes encontros de uma semana com jovens de várias nacionalidades são a prioridade da comunidade. Depois de cada encontro, os jovens voltam para as suas Igrejas locais e continuam participando da iniciativa de reconciliação entre os cristãos, mediante orações ecumênicas que integram as músicas de Taizé à vida da Igreja local. O fundador da Comunidade de Taizé é o Irmão Roger, que permaneceu como prior até a morte, em 2005. Ele foi assassinado no dia 16 de agosto por uma mulher romena com distúrbios mentais, que o apunhalou várias vezes durante a oração da noite. O Irmão Alois, católico de origem alemã que já tinha sido indicado pelo Irmão Roger oito anos antes para sucedê-lo, é o atual prior.

Aos poucos este acolhimento de Taizé foi crescendo de tal forma que surgiu a necessidade dos encontros internacionais Europeus e até em outros continentes (como África). Na Africa do Sul até há bem pouco tempo esteve uma comunidade de irmãos que durante cerca de três anos viveram na comunidade, conhecendo e percebendo a realidade daquele povo deixando uma outra comunidade formada.

Pela Europa continua o trabalho de acolhimento, de forma particular, aos refugiados, sendo uma preocupação constante. Recebem todo o tipo de (86 no total) pessoas do: Sudão, Libia, Afeganistão, Siria, Eritreia, Iraque… muçulmanos ou cristãos, “não importa quem sejam, são pessoas” – explicava e destacava o Irmão David.  “Em Taizé faz acolhimento á pessoa… não importa quem seja” – continuava.

A comunidade de Taizé mantem-se atenta ao mundo e até os problemas de ecologia são motivo de preocupação e destaque. Tudo têm feito para diminuir o lixo produzido na aldeia bem como alertar e sensibilizar tantos que passam por Taizé para estas questões ambientais.

O próximo encontro está já marcado para 28 de dezembro 2019 a 2 de janeiro 2020, em Wroclaw.

(inf: SDPJ)