Católica Porto juntou instituições da cidade para refletirem sobre questões sociais

Fotos: Misericórdia do Porto

“O olhar do Porto para as questões sociais” foi o tema de um encontro promovido pelas Irmandades e Ordens do Porto numa organização da Santa Casa da Misericórdia do Porto e da Universidade Católica Portuguesa no Porto. Uma conferência inspirada pela visão estratégica de D. António Francisco dos Santos.

Foi no dia 27 de junho que decorreu na Católica Porto a conferência “O olhar do Porto para as questões sociais”. D. Manuel Linda, bispo do Porto, foi impulsionador do evento e esteve presente na sessão de abertura. Esta conferência reuniu pela primeira vez instituições de relevo da cidade do Porto com o intuito de formar quadros e traçar novas perspetivas no âmbito social. Presentes representantes das seguintes instituições: Misericórdia do Porto, Ordem do Carmo, Ordem da Santíssima Trindade, Ordem Terceira de São Francisco do Porto, Irmandade de Nossa Senhora da Lapa e Irmandade de Nossa Senhora do Terço e Caridade.

Sonhada por D. António Francisco dos Santos e levada agora a efeito no empenho ativo da Santa Casa da Misericórdia do Porto e da Universidade Católica, esta iniciativa teve na presença do Provedor da Santa Casa, António Tavares, e da presidente do Centro Regional do Porto da UCP, Isabel Braga da Cruz, a certeza da sua importância para o futuro.

Em declarações à Rádio Renascença, na reportagem do jornalista André Rodrigues, António Tavares sublinhou as preocupações partilhadas por todas estas instituições sobre as “novas formas de pobreza”, nomeadamente, as que têm que ver com o “envelhecimento” da população.

A propósito da sustentabilidade dos projetos sociais e das instituições que os desenvolvem, o Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, considerou ser fundamental “saber o que é que o Estado faz, o que é que as autarquias fazem e depois o que é que as instituições fazem”. “Os recursos não são muitos. Temos que ser inteligentes” – afirmou.

António Tavares revelou ainda a sua satisfação pela aprovação da Lei de Bases da Economia Social, mas assinala que é preciso “ir mais além” recordando, por exemplo, a situação dos “cuidadores informais”.

Num encontro focado nas questões do envelhecimento populacional e nos desafios que se colocam à cultura organizacional das instituições envolvidas, foi apresentado aos participantes um estudo sobre “a importância económica e social das Instituições Particulares de Solidariedade Social”. Coordenado pelo Prof. Américo Mendes, docente de Economia na Universidade Católica e responsável pela ATES- Área Transversal de Economia Social, este estudo foi realizado para a CNIS – Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade. Um estudo que permite sustentar cientificamente algumas ideias como o facto de o Estado apenas comparticipar apenas 40% das necessidades destas instituições.

Neste painel de debate esteve presente o padre Lino Maia, presidente da CNIS, que lançou o desafio da criação de um Observatório Social no Porto. Apontou ainda vários desafios atuais para as instituições sociais: o envelhecimento; o envolvimento da comunidade; a interação com as universidades; a natalidade; a sustentabilidade económica; o voluntariado.

De destacar nesta conferência o contributo de especialistas nas áreas da saúde e nutrição, como Francisco Pavão, médico especialista em Saúde Pública, Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, e João Miranda, CEO da Frulact.

Os grandes objetivos desta conferência foram promover a partilha de casos e vivências explorando as áreas de atuação das diferentes instituições. Este evento procurou também potenciar a aproximação dos colaboradores das entidades presentes, assumindo um carácter de formação.

(RS)