Sri Lanka: uma Páscoa de Paixão

Foto: Chamila Karunarathne - Anadolu Agency

A Comunicação Social deu justificado relevo aos atentados cometidos no domingo de Páscoa contra algumas igrejas no Sri Lanka, uma ilha situada a sul da Índia, conhecida ainda não há muitos anos por Ceilão e que, num tempo ainda mais distante, era a Taprobana, como foi invocada por Camões  nos Lusíadas.

Por António José da Silva

Esse relevo justifica-se pela sua dimensão – mais de trezentos mortos e de quatrocentos s feridos – e ainda  pela  data escolhida para a sua execução : o dia da celebração mais festiva do mundo cristão, o dia da Ressurreição de Jesus Cristo.

A ilha de Sri Lanka foi colonizada, entre outros povos, por portugueses, holandeses, e ingleses, tendo sido destes que receberam a declaração de sua independência em 1948. Todos estes povos deixaram a sua marca na vida social, cultural e politica daquele território, caracterizado ainda pela difícil coexistência, de duas comunidades étnicas e culturais: a comunidade maioritária dos cingallis, e o o grupo minoritário dos tamiles, que sempre se sentiram muito ligados ao seus irmãos do sul da Índia. As dificuldades desta coexistência traduziram-se mesmo numa guerra civil que fez milhares de vítimas.

Cada um dos povos que colonizaram a ilha deixou ali a sua  influência cultural e civilizacional, definida sobretudo pela a Religião e pela Língua, Devido aos movimentos da História, o pluralismo religioso é pois uma das características sociais e culturais do Sri Lanka, embora o budismo seja dominante, com cerca de 70% de praticantes. Seguem-se o hinduísmo, com 13%, e em percentagens praticamente iguais o cristianismo e e o islamismo: 8%. Os ataques do domingo de Páscoa provocaram um choque justificado no mundo dito ocidental, embora essa reacção talvez não tenha sido tão sentida como seria expectável, sobretudo em Portugal, cujos marinheiros e missionários levaram o cristianismo àquela ilha, no século XVI. Esses atentados terríveis tinham um objectivo: ameaçar a presença cristã naquele território, com a arma do medo que se segue sempre à destruição dos seus grandes símbolos que são as igrejas, algumas delas, neste caso, com nomes portugueses.

Tendo em conta a história recente dos movimentos radicais islâmicos, a primeira reacção da opinião pública internacional, ainda antes de qualquer reivindicação, foi a de atribuir a um qualquer desses movimentos a responsabilidade desses acontecimentos trágicos. As últimas notícias já “descobriram” um responsável mor: o estado islâmico, considerado praticamente, e talvez precipitadamente, extinto. No meio destas dúvidas, só parecem estar certos aquele que dizem que o cristianismo é a religião mais perseguida no mundo de hoje.