Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos (O.V.A.R.) recebeu o Prémio Direitos Humanos 2018

Criada em 1969 pelo Conselho Central do Porto da Sociedade S. Vicente de Paulo, a O.V.A.R. é expressão da fraternidade cristã no apoio aos reclusos promovendo a dignidade humana

A Assembleia da República atribuiu à Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos o Prémio Direitos Humanos 2018, na segunda-feira dia 10 de dezembro, numa Sessão Solene no Parlamento Português por ocasião dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, marcou presença nesta cerimónia e a propósito da distinção concedida à OVAR afirmou que “nenhuma democracia pode considerar-se plena nem sequer duradoura se por ela não tiver democratas a trabalhar”.

Em declarações à Agência Ecclesia, o Presidente da OVAR, Manuel Hipólito dos Santos, assinalou ser necessária uma aposta mais efetiva da Igreja Católica neste âmbito pastoral afirmando que “a vivência cristã é necessária nas prisões”.

“A exemplo do que já acontece em muitos outros países, porque é que em Portugal a esmagadora maioria das dioceses não tem pastorais penitenciárias?” – questionou Manuel Hipólito dos Santos.

O Presidente da OVAR, nas suas declarações, recordou a necessidade de uma “reinserção social efetiva” tendo sublinhado ainda o problema das roturas familiares que a prisão pode provocar.

“O nosso trabalho fundamental é ouvir, é escutar. Os reclusos têm uma necessidade de ter alguém que os ouça, sem estarem comprometidos com o sistema repressivo da prisão. E nós, tal como as visitas familiares que neste momento estão muito em causa com a greve dos guardas prisionais, representamos ali uma espécie de porto de abrigo” – disse ainda Manuel Hipólito dos Santos à Agência Ecclesia.

A Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos é uma obra especial do Conselho Central do Porto da Sociedade de S. Vicente de Paulo e foi criada em 1969 com o objetivo de apoiar os reclusos e suas famílias dentro do espírito da fraternidade cristã e da promoção da dignidade humana daqueles que se encontram privados da liberdade. A organização conta com o contributo de 11 pessoas, voluntários e voluntárias, que visitam semanalmente os diversos estabelecimentos prisionais da região, desde Paços de Ferreira a Santa Cruz do Bispo, passando por Custóias e Vale do Sousa.

Nesta sessão evocativa dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos foram também distinguidos: a Associação Letras Nómadas que se dedica à investigação e dinamização das comunidades ciganas; a Orquestra Geração, que desenvolve ações no âmbito do combate ao insucesso escolar e a jornalista Joana Gorjão Henriques, pelo seu trabalho de reportagem na defesa dos direitos humanos.

(RS)