Carta Apostólica ‘Misericordia et Misera’ instituiu o Dia Mundial dos Pobres

No domingo 18 de novembro de 2018 celebra-se o II Dia Mundial dos Pobres que foi instituído pelo Papa Francisco no âmbito da Carta Apostólica ‘Misericordia et misera’ no dia 20 de novembro de 2016 que recolhe inspiração no Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Recorda-se aqui o essencial desse documento do Santo Padre.

Por Rui Saraiva

Dia dos Pobres, sinal de misericórdia

Com a Carta Apostólica ‘Misericordia et misera’ o Papa decidiu instituir o “Dia Mundial dos Pobres” declarando que deve ser celebrado no penúltimo domingo do ano litúrgico. Este dia recolhe a sua inspiração no Ano Santo da Misericórdia, que teve o seu encerramento oficial no domingo dia 20 de novembro de 2016 e, em particular, no ‘Jubileu das Pessoas Socialmente Excluídas’, que se realizou no Vaticano no dia 13 de novembro desse ano.

“Intuí que, como mais um sinal concreto deste Ano Santo extraordinário, deve-se celebrar em toda a Igreja, na ocasião do XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Dia Mundial dos Pobres” – é o que escreve Francisco na sua Carta Apostólica ‘Misericordia et misera’, que marcou o fi nal do Jubileu da Misericórdia. O Santo Padre afi rma ainda que o “Dia Mundial dos Pobres” é uma “digna preparação para bem viver a Solenidade de Cristo Rei do Universo”, que encerra o ano litúrgico. Uma forma para promover a identifi cação da Igreja com os “mais pequenos e os pobres”. Francisco observa ainda que “não poderá haver justiça nem paz social” enquanto “Lázaro” jaz “à porta de nossa casa”.

Ao encontro do pobre para renovar a Igreja

Segundo o Papa Francisco, o “Dia Mundial dos Pobres” é para ajudar as comunidades e cada batizado a “refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho”. “Não podemos esquecer-nos dos pobres: trata-se de um convite hoje mais atual do que nunca, que se impõe pela sua evidência evangélica” – declara o Santo Padre no documento. Ir ao encontro dos que padecem de fome e de sede para “renovar o rosto da Igreja” – afirma Francisco apelando para que a Igreja seja “testemunha da misericórdia” dando respostas concretas em campos como as migrações, as doenças, as prisões, o analfabetismo e a ignorância religiosa. O Papa recorda ainda os desempregados, os sem-abrigo, os sem-terra, as crianças exploradas e todas as situações que exigem uma “cultura de misericórdia” que combata a indiferença e a desconfiança entre seres humanos. Na sua Carta Apostólica Francisco convoca os cristãos para uma “revolução cultural” dos pequenos gestos “a partir da simplicidade” e afi rma que estamos a viver “o tempo da misericórdia”.