D. António Marto

Por Joaquim Armindo

Nas aulas de “Antropologia Teológica” demonstrava um dinamismo invulgar. O então padre António Marto conseguia um feito inédito, sendo as suas aulas à noite e terminando tarde, nenhum de nós dava pela chegada da hora. A sua eloquência em fazer a “ponte” entre a  Palavra e os dias de hoje, deixou-nos a todos espantados. Nunca fugiu à Razão, nem nunca deixou a Palavra, explicava sempre cientificamente esta, de tal forma que nos conseguia levar até ao transcendente. Rendíamo-nos também à sua forma de expor todas as questões, a sua comunicação era singular, na forma aperfeiçoada como tratava as palavras. Tendo questões, não fugia a elas, e uma boa “sebenta” ainda uso e guardo, das suas aulas. Também no Conselho Pedagógico, a que ambos pertencemos – eu, por parte dos alunos -, a sua mensagem passava, com muita humildade, quase como fosse o último dos alunos, quando era o professor. Mas o que mais impressionava era a doação ao Senhor Jesus, pela transparência com que explicava as coisas mais controversas.

O padre António Marto quando foi ordenado bispo, tornou-se ainda mais servidor. Nuna mais falamos os dois, fiquei a perder. Mas segui o seu percurso, e nada me admira que o papa Francisco o tenho criado cardeal. Tenho sorte em ter um meu professor em cardeal, e neste tempo poder testemunhar o quanto aprecio a sua habilidade e competência. Que, diga-se, não reconhece, porque irmanado com o seu Senhor, a Esse, ele reconhece tudo. O agora cardeal regressa à sua diocese, tenho a certeza, tão disponível como quando o não era. Será sempre o mesmo, como o timbre especial que tem ao falar. Não só fala como o seu povo, para o seu povo, mas ele é povo, não está com o povo, ele é povo.

D. António Marto nunca, desde o principio, deixou de apoiar ativamente as reformas do papa Francisco, mesmo as mais profundas. Ao lado de Francisco, António Marto estará sempre ao lado dos mais sofredores. Ele sabe bem que “uma igreja que não serve, não serve para nada”. As grandes reformas, mesmo as mais difíceis, terão no cardeal António Marto um aliado imprescindível. Ele não pensava que o papa Francisco o chamasse a isto, como eu nunca pensei ter um professor como António Marto. Não lhe dou os parabéns, nem ele quer, mas um abraço de reconhecimento, ai, isso dou, daqui desta crónica. Obrigado, D. António Marto!