Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonas?

Por Joaquim Armindo

Em plena Quaresma, estamos mesmo todas e todos de quarentena, que quer dizer quarenta dias, todo o tempo necessário para nos reabilitarmos e trabalhar para um mundo de felicidade, onde o “trigo e o vinho” – riquezas da Palestina -, não faltarão. Nesta hora de tantos mortos e doentes e outros que parecem sãos e estão doentes, parece-me ouvir a voz de Jesus: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” Ouvimos os hebreus no deserto quando tudo faltava, insurgir-se contra o Deus libertador, porque não tinham água ou comida, eles também clamavam contra Deus, porque a fome e a sede não se compadecem com um Deus longe da história das mulheres e dos homens. Mas o nosso Deus não está longe da história, está cá bem metido, nos corpos dos que mais sofrem. Deus não nos abandona à nossa sorte, Ele esteve com Jesus na cruz, por isso ressuscitou. Ele está com os sofredores da “quarentena” dos hebreus, por isso brotou água e comida. Ele está hoje connosco, porque sofre as agruras do seu povo, e, principalmente, daqueles que mais sofrem.

Nesta hora onde o vírus enche os noticiários lembremo-nos também dos milhares de milhões de gafanhotos que destroem os campos em África e enchem já as fronteiras chinesas. Eles correm centenas de quilómetros diários, deixam o povo à fome e não sabemos como e quando esta praga chegará às nossas searas e campos agrícolas. Quando o vírus começou na China, era na China, longe de nós, agora os gafanhotos começaram em África, vão na Ásia, e não sabemos se chegarão aqui.

As mulheres e os homens do mundo têm meios de combate a tudo isto, conhecimentos e o dinheiro suficiente, pode faltar é a cultura do encontro, da ecologia, enquanto diálogo com a Natureza e com a Criação. Quantos erros cometemos contra a Criação, e nós, como cristãs e cristãos, precisamos deste encontro integral com a Ecologia Espiritual, este querer ser e encontrar Jesus. Toda a humanidade procura o espiritual, seja o “nosso”, não seja o “nosso” espiritual, mas que possa conferir a Esperança de que é possível um Outro Mundo, onde nós sejamos irmãos e irmãs e tratemos a Terra, donde viemos e para onde vamos, como nossa irmã e mãe. Não é a hora de murmurar, é a hora de “morarmos juntos” na Terra, onde as armas da guerra, possam dar lugar às investigações e à alegria da Vida.

Juntos!