Domingo III do Advento

Foto: Rui Saraiva

15 de Dezembro de 2019

 

Indicação das leituras

Leitura do Livro de Isaías                                  Is 35,1-6a.10

«Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria»

 

Salmo Responsorial                                             Salmo 145 (146)

Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

Leitura da Epístola de São Tiago                       Tg 5,7-10

«Fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima».

 

Aclamação ao Evangelho           Is 61,1 (cf. Lc 4,18)

Aleluia. Repete-se

O Espírito do Senhor está sobre mim:

enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus                        Mt 11,2-11

«És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?»

«Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres».

 

Viver a Palavra

O itinerário proposto pela Liturgia da Palavra em Tempo de Advento faz ecoar uma mensagem de esperança e alegria pela certeza de um Deus próximo e presente na vida da humanidade pela incarnação de Jesus Cristo, o Filho muito amado do Pai, que assume a nossa natureza humana e revela a proximidade do Reino de Deus. Ao longo deste tempo litúrgico, desfilam diante de nós um conjunto de figuras como Isaías, João Baptista, a Virgem Maria, entre outras, que nos testemunham esta certeza alegre e jubilosa que o Senhor não abandona o Seu povo e que envia o Messias esperado para operar a salvação.

O terceiro Domingo de Advento, Domingo Gaudete (Domingo da Alegria), reforça esta nota da alegria e, por isso, a antífona de entrada da missa faz-nos cantar com as palavras de Paulo: “Gaudete in Domino semper” (Alegrai-vos sempre no Senhor, cf. Flp 4,4.5).

A alegria que ressoa neste Domingo nas nossas assembleias não é um mero sentimento superficial de contentamento ou uma alienação da realidade convidando a um optimismo desencarnado ou a uma ingenuidade balofa de que tudo está bem. É a certeza que não obstante as dificuldades e os desafios da nossa vida pessoal e do contexto político e social em que vivemos, o nosso Deus está próximo, caminha connosco e nos convida a levantar a cabeça para que não percamos a esperança diante dos dramas da história.

Para nós cristãos, discípulos missionários de Jesus Cristo, esta alegria não é um conceito abstracto mas tem um rosto, o rosto misericordioso de Jesus Cristo. Por isso, o Papa Francisco afirma no início da sua exortação apostólica Evangelii Gaudium:  «a Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria» (EG 1).

Jesus é fonte perene de esperança e alegria para aqueles que depositam nele a sua confiança e o anúncio que Ele virá para salvar o Seu povo é a mais efusiva manifestação de júbilo e louvor como nos testemunha Isaías na primeira leitura: «Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. (…) ‘Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos’».

Os profetas anunciaram e a profecia realiza-se. João Baptista, estando preso ouve falar das obras de Cristo e envia mensageiros para lhe perguntarem: «És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?». E como é belo o modo como Jesus responde. Não se perde em explicações abstractas mas apresenta um elenco de factos: «os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres». Jesus é Aquele que podemos ver e ouvir, isto é, Aquele que se experimenta pelo encontro único e irrepetível que produz uma verdadeira transformação na vida daqueles que se encontram com Ele. A força transformadora do Seu amor é verdadeiro escândalo porque entre nós está o próprio Deus revelado na nossa natureza humana e adverte-nos: «bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo». Seremos bem-aventurados, isto é, felizes, se encontrarmos em Jesus a fonte da nossa alegria e se no meio das nossas dificuldades e desafios soubermos viver a paciente esperança que anuncia S. Paulo: «sede pacientes, vós também, e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima».

 

Homiliário patrístico

Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo (Séc. V)

João era a voz, mas o Senhor era a Palavra desde o princípio. João era uma voz passageira; Cristo era desde o princípio a Palavra eterna. Queres ver como a voz passa, enquanto a divindade da Palavra permanece? Que foi feito do baptismo de João? Cumpriu a sua missão e desapareceu. Agora é o baptismo de Cristo que está em vigor. Todos acreditamos em Cristo, todos esperamos a salvação em Cristo. Foi isto que a voz anunciou. Precisamente porque é difícil não confundir a palavra com a voz, tomaram João pelo Messias. A voz foi confundida com a Palavra. Mas a voz reconheceu-se a si mesma como tal, para não lesar a Palavra. Disse: Não sou Cristo, nem Elias, nem o Profeta. Quando lhe perguntaram: Então, quem és? Respondeu: Eu sou a voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor. Voz do que clama no deserto, voz de quem quebra o silêncio. Preparai o caminho do Senhor, como se dissesse: Sou a voz que se faz ouvir apenas para introduzir a Palavra no vosso coração; mas Esta não se dignará entrar onde pretendo introduzi-la, se não preparardes o caminho.

Que quer dizer: Preparai o caminho, senão: «Suplicai insistentemente»? Que quer dizer: Preparai o caminho, senão: «Sede humildes de coração»? Imitai o exemplo de humildade de João Baptista.

 

Indicações litúrgico-pastorais

  1. O terceiro Domingo de Advento é designado como Domingo Gaudete (Domingo da Alegria). Esta designação é retirada da primeira palavra da antífona de entrada da missa: “Gaudete in Domino semper ” (Alegrai-vos sempre no Senhor). A celebração eucarística deste Domingo é a oportunidade de uma reflexão sobre a alegria cristã e que está tão ligada ao magistério do Papa Francisco (Evangelii Gaudium, Amoris Laetitia, Gaudete et Exsultate, Christus Vivit), onde podemos encontrar belíssimos textos e contributos sobre a alegria do Evangelho, a alegria do amor que se vive na família ou a alegria de percorrer a estrada da santidade. Inspirados nestes textos, poderá ser também oportuno nestes dias que antecedem o Natal dinamizar uma celebração ou momento de reflexão inspirado nesta temática da alegria.

 

  1. Para os leitores: na preparação da primeira leitura deve ter-se cuidado com a pronunciação dos nomes próprios das cidades presentes no texto: «Líbano», «Carmelo» e «Sáron». Este texto possui um conjunto de imagens que evocam a alegria e é um convite ao júbilo e ao regozijo. Por isso, a proclamação desta leitura deve ser marcada pelo tom alegre e exortativo de quem convida ao louvor e à festa. A segunda leitura é um texto fortemente exortativo marcado por um conjunto de formas verbais no modo imperativo. A proclamação deste texto deve ter em atenção as formas verbais no imperativo e aproveitar a força expressiva que elas possuem.

 

Sugestões de cânticos

Entrada: Alegrai-vos no Senhor – F. Fernandes (CEC I, p. 20); Acender da vela da Coroa de Advento: Estai preparados – F. Santos (CN 428); Salmo Responsorial: Vinde, Senhor, e salvai-nos (Sl 145) – M. Luís (CN 1009); Aclamação ao Evangelho: Aleluia | O Espírito do Senhor está sobre mim – F. Santos (BML 33); Ofertório: Ó Divina Sapiência – F. Santos (CN 557); Comunhão: Dizei aos desanimados – F. Santos (CN 374); Final: Deus está diante do homem – F. Santos (CN 358).