Por falar em cultura

As populações em concreto são portadoras de uma acumulação de conhecimentos, hábitos, tradições e crenças, que dão confiança total à cooperação para a inclusão social e superação da pobreza, por isso a identidade cultural é uma componente importante e substantiva da sustentabilidade, estas são palavras de Leonardo Boff, no seu livro “La Sostenibilidad” , e reforça que só a com a cultura é possível o cultivo da arte, religião, criatividade, das ciências e a multiplicação de todas as formas de expressão estética.

Por Joaquim Armindo

A Laudato Si` fala mesmo em Ecologia Cultural e denunciando a ameaça do património histórico, artístico e cultural, por isso a Ecologia “envolve também o cuidado das riquezas culturais da humanidade, no seu sentido mais amplo”, pedindo a atenção para as culturas locais em todas as questões relacionadas com o meio ambiente, e que não só os monumentos, mas um sentido vivo dinâmico e participativo, a fim de “se repensar a relação do ser humano com o meio ambiente”. A cultura reside nas populações e delas sai, se existem “elites culturais”, pois que elas saiam das múltiplas tradições e hábitos dos povos, e emanem deles. São necessárias enquanto sejam portadoras das mensagens que a prática transmite, e elas teorizam, e não o contrário.

Esta “Ecologia Cultural” é o diálogo dos entes, dos seres vivos, e não a usurpação de minorias, que podem ser bem-falantes, mas que traem a valorização dos sentimentos de quem é ele próprio o diálogo – o nosso povo. Mas também o diálogo de seres inertes, que nos contam as histórias dos nossos antepassados.

Um trabalhador é melhor trabalhador quanto mais culto ele é, e mais reivindicativo das suas raízes. Sei, por experiência própria, que um soldador da metalomecânica é melhor soldador depois de assistir a uma récita de piano ou visitar uma exposição de um museu. Não seremos bons cidadãos, bons cristãos e boas cristãs se esquecermos esta ecologia cultural, se não denunciarmos os maus tratos e não dinamizarmos a pobreza da cultura, ou seja, uma pobre cultura.

Está nas nossas mãos, para atingirmos espiritualidade cristã, consciente e atuante, a cultura é um meio, para melhor chegarmos ao Senhor Nosso, Jesus de Nazaré. Se assim não for, seremos insensíveis aos sinais dos nossos tempos.