A Missão exige Paixão

No dia 21 de outubro, enviei para o “facebook” a imagem que ilustra este texto com a seguinte legenda: “Estátua, ontem, inaugurada em frente ao antigo Colégio das Missões Ultramarinas, em Cernache do Bonjardim, onde estudou D. António Barroso que foi missionário em Angola/Congo, Moçambique e Índia e dizia que o missionário devia levar numa mão a cruz e noutra a enxada.

Por João Alves Dias

Bispo do Porto entre 1899 e 1918, ficou conhecido como «bispo dos pobres». Quando perseguido, preso e exilado, dizia: de duas coisas não hei de morrer: de parto ou de medo”.

Logo recebi vários comentários, realçando a presença da “cruz e da enxada”

Para explicitar melhor este simbolismo, transcrevo uma perícope do discurso «O Congo, seu passado, presente e futuro» que D. António Barroso apresentou na Sociedade de Geografia de Lisboa, em 7 de Março de 1889, e desenvolveu, depois, em conferências de teor idêntico, no Ateneu Comercial do Porto, no Instituto de Coimbra e em Braga:

“O missionário deve levar em uma das mãos a Cruz, símbolo augusto da paz e da fraternidade dos povos, e na outra a enxada, símbolo do trabalho abençoado por Deus. Deve ser padre e artista, pai e mestre, doutor e homem da terra; deve tão depressa pôr a sua estola (…), como empunhar a picareta para arrotear uma courela de terreno.”

Em vez da tradicional “cruz e espada”. D. António Barroso mantém o primado da cruz mas substitui a espada pela enxada. O Evangelho não se impõe pela força das armas mas pela solidariedade do amor.

Dos comentários que recebi um houve que me deu especial conforto. Veio de Angola: “Em Luanda foi uma das poucas ruas às quais não mudaram o nome e é uma das ruas mais bonitas e importantes da cidade”. Como é bom saber que o povo angolano honra o nome de quem, por ele, sacrificou a própria saúde. Como afirmou, no ato da inauguração, o atual Superior Geral da Sociedade Missionária da Boa Nova, P. Adelino Ascenso, “não há missão sem paixão”. E já, no passado dia 1 de outubro, o Papa Francisco dissera que devemos ser “ativos no bem. Não notários da fé e guardiões da graça, mas missionários.” D. António era apaixonado e criativo no anúncio da Boa Nova e na prática do Bem. Por isso, a sua memória se perpetua ao longo do tempo. Também, no Porto.

O monumento, agora inaugurado, tem gravado, no sopé da imagem, os nomes dos 320 missionários, formados no Real Colégio das Missões que prestaram serviço nas Missões do Padroado Português. Na pessoa do Dr. Amadeu Araújo, parabéns à “Postulação da Causa da Canonização” e aos “Amigos de D. António Barroso” que, deste modo, prestaram “homenagem à MISSIONAÇÃO PORTUGUESA” de que D. ANTÓNIO BARROSO é um sublime luzeiro.