Bulgária. Papa: “com o fogo do amor derreter o gelo das guerras” (c/áudio)

Foto: AFP

Num evento pela paz, o Papa apelou ao diálogo falando num símbolo inter-religioso da Bulgária, onde num mesmo local estão lugares de culto de diferentes confissões religiosas

Por Rui Saraiva

Sófia, Bulgária, dia 6 de maio: na Praça da Independência o Papa Francisco participou num evento pela paz, juntamente com representantes de outras confissões religiosas. Nesta Viagem Apostólica do Santo Padre à Bulgária e à Macedónia do Norte o tempo foi de encontro inter-religioso.

Seis crianças empunhando luzes fizeram a ponte, representando as seis principais confissões religiosas do país: Ortodoxa, Arménia, Hebraica, Protestante, Muçulmana e Católica.

O significado deste momento foi o de testemunhar que todos os búlgaros rezam pela paz. A paz, que é também a paz de Cristo, sobre a qual escreveu S. João XXIII na sua Encíclica “Pacem in Terris”. João XXIII, Ângelo Roncalli, que ali na Bulgária, foi Visitador Apostólico de 1925 a 1934.

O Papa Francisco recitou a oração de S. Francisco e recordou o seu amor “pela Criação”. “Amor que o levou a ser um autêntico construtor de paz” – disse o Santo Padre exortando todos os presentes a serem construtores de paz e citou o documento por si assinado recentemente a 4 de fevereiro deste ano de 2019 em Abu Dhabi com o Imã de Al-Azhar:

“Paz que devemos implorar e pela qual devemos trabalhar: dom e tarefa, presente e esforço constante e diário para construir uma cultura, onde também a paz seja um direito fundamental. Paz ativa e «fortificada» contra todas as formas de egoísmo e indiferença, que nos fazem antepor os interesses mesquinhos de alguns à dignidade inviolável de toda a pessoa. A paz exige e pede-nos para fazermos do diálogo um caminho, da colaboração comum a nossa conduta, do conhecimento mútuo o método e o critério” (cf. Documento sobre a Fraternidade Humana, Abu Dhabi 4 de fevereiro de 2019).

Francisco referiu-se à simbologia da luz, chamando-lhe “fogo de amor” e “farol de misericórdia, amor e paz” para todo o mundo:

“Com o fogo do amor, queremos derreter o gelo das guerras” – disse o Papa.

“Estamos a viver este evento em prol da paz nas ruínas da antiga Serdika, em Sófia, coração da Bulgária. Daqui podemos ver os lugares de culto de diferentes Igrejas e Confissões religiosas: Santa Nedélia dos nossos irmãos ortodoxos, São José dos católicos, a sinagoga dos nossos irmãos mais velhos – os judeus –, a mesquita dos nossos irmãos muçulmanos e, perto, a igreja dos arménios” – recordou o Santo Padre.

Considerando ser aquele local um símbolo e “testemunho de paz”, o Papa lançou um apelo aos líderes religiosos, políticos e culturais para que cada um seja “um instrumento de paz”. E recordou o sonho do Papa S. João XXIII:

“… uma terra onde a paz seja de casa. Adotemos o seu desejo e, com a nossa vida, digamos: Pacem in terris! Paz, na terra, a todos os homens amados pelo Senhor!” – disse o Papa Francisco.