Mensagem (27): Portos

Os portos existem para a saída e a entrada, para dar e receber. Nós, cidade do Porto, sabemos disso, há milénios. De tal forma que nos está no sangue, faz parte da nossa identidade genética. Por exemplo, há muitos, muitos séculos, recebemos dos flamengos, com toda a naturalidade, a invocação com a qual designamos a padroeira desta urbe: Nossa Senhora da Vandoma.

E demos. Demos, por exemplo, o nome a Portugal. E, em suma generosidade, demos, também, a melhor carne para que aos navegadores nada faltasse, ficando nós, apenas, com as tripas. É esta uma expressão da nossa maneira de ser. De tal forma que somos tripeiros, com muita honra e –diga-se de passagem- bastante proveito. Tripeiros porque, mais que ninguém, fazemos das tripas coração e da generosidade a radiografia da nossa alma coletiva.

Não será isto o que torna simpática e apetecível esta «capital do Norte»? Por algum motivo esta zona tem sido repetidamente classificada, ano após ano, como destino turístico de excelência. E não o será somente pela paisagem urbana. Acredito que, para isso, contribuirá ainda mais a nobreza de espírito que faz dos de fora membros da nossa família.

Mas também porque sabe conciliar, em plena liberdade, uma fé viva e dinâmica com o seu empenho na edificação da sociedade pacífica, solidária, equilibrada e mais justa. Sim, trata-se uma comunidade humana que integra, com toda a naturalidade, a fé na sua existência. Por isso, não deixa de ser significativo que os que nos procuram comecem pela Catedral –o espaço mais visitado da cidade- subam aos Clérigos e se regalem numa livraria ou nas Caves. É que tudo isto constitui facetas do nosso ser. O divino e o humano sem oposições ou antagonismos.

Seja esta naturalidade do receber e dar, do acolher e familiarizar, do rezar e humanizar, do cultivo da espiritualidade e do investir no desenvolvimento integral da sociedade a «imagem de marca» do portuense, aqui entendido na perspetiva alargado do cristão e pessoa de boa vontade da área da Diocese do Porto.

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