Afinal o que é urgente

Situação de reflexão. Quando temos de permanecer em casa numa situação de doença. Deixa-nos a pensar no que é a urgência. O que esperamos dos outros.

Por Joaquim Armindo

Por exemplo dos agentes de saúde. Dos médicos, dos enfermeiros, dos técnicos, dos auxiliares. Quando tenho uma dor de cabeça, o que é a urgência? E os serviços mínimos? Senão que eu fique sem dores de cabeça! Conheço uma senhora que de tempos, a tempos tem de ir ao hospital. Faz um controlo de sangue, por motivo de possuir uma válvula não orgânica. Os médicos determinam qual o tempo sem controlo de acordo com os valores obtidos. Na última sexta-feira lá estava cedinho, porque são muitos os que fazem este tratamento. Veio embora, sem mais nada. Enfermeiros em greve, e os “escriturários” em greve – não sei se este é o termo certo, “escriturários”. O que são os serviços mínimos, urgentes e inadiáveis, para esta senhora? São questões de saúde, a determinação dos valores para ser medicada.

Qualquer que seja a razão da greve, não deixam de ser serviços urgentes, prioritários e inadiáveis. Para qualquer doente que esteja à espera de uma operação, é sempre um espaço de tempo longo, se demorar mais que uma hora. Um ano é muito, como um mês ou um dia, tanto mais se se trata de uma greve destinada ao adiamento de operações. Seja por que motivo for. O conceito de urgência para o doente é sempre o agora, e só uma paciência atroz, pode conseguir isso, e só pela falta de dinheiro não se desloca ao setor privado, para resolver a situação.

Quem possui um seguro de saúde e pagou ao mesmo tempo para a segurança social, pode resolver esta questão da urgência. Não sou contra a greve de ninguém, antes pelo contrário sempre defendi – e em condições muito difíceis –, o direito inalienável à greve, até como dirigente sindical. Mas não posso conceber atentados à vida, como tem vindo a acontecer. A greve é, sempre foi, o último recurso, não o primeiro. Como direito sagrado, cabe, a todos nós, defender o seu exercício, condição democrática indispensável.

Na greve, porém, também existem condições éticas a cumprir, o que me parece não ser o caso desta “greve cirúrgica”. Mesmo que as razões sejam a reivindicação para elevar o seu salário no correspondente a mais de metade do salário mínimo existente