Misericórdia de Arouca

Por Lino Maia

Sessenta irmãos (30 nobres e outros tantos plebeus) fundaram a Santa Casa de Misericórdia de Arouca em 1610. Nesse mesmo ano, foi emitido por Filipe II o Alvará de Confirmação do Compromisso, da Confraria e Irmandade. Os Estatutos da Misericórdia viriam a ser aprovados pelo Bispo do Porto em 1989.

Logo após a sua fundação, a Santa Casa iniciou a construção de uma igreja própria, situada na praça principal da vila e que hoje faz parte do património nacional. Ainda nos seus alvores, sobre uma “mole granítica, rude e triste, em posição sobranceira, parecendo concebida pelos caprichos da natureza para lugar de expiação de condenados”, a Confraria do Senhor dos Passos mandou construir o Calvário, hoje também monumento de interesse público. Nesse período, concretamente em 1626, sendo provedor o Pe. Diogo Dias, a Misericórdia começou a realizar uma procissão na quarta-feira da Semana Santa – a Procissão dos Fogaréus – que relembra os Passos da Paixão de Cristo. Sai da Capela em Via-sacra até ao Calvário, passando pelas Cruzes dos Passos.

Desde a sua fundação, a Misericórdia sempre se dedicou à prestação de serviços no âmbito da saúde e do apoio social, com particular incidência para o apoio aos idosos. Até 1975, mais na área da saúde, com o seu hospital que, então, passaria para o Estado para aí funcionar um Centro de Saúde.

Mesmo no final do milénio, o Ministério da Saúde, procedeu à inauguração de um novo Centro de Saúde em Arouca e devolveu as instalações do antigo edifício à Santa Casa. Concluídas as obras de reconstrução do Hospital foi dado inicio ao seu funcionamento em 2007, tendo sido a Misericórdia pioneira na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (6 e 14 utentes, respetivamente, de média e de longa duração), através de protocolo assinado com os Ministérios da Saúde e da Segurança Social. A prestação de serviços na área da saúde iniciou-se com o internamento, mas alargou-se à fisioterapia e às consultas externas de especialidades. Foi assinado um Acordo de Cooperação com a Administração Regional da Saúde do Norte nas áreas de Fisioterapia, Terapia da Fala e Exames Auxiliares de Diagnóstico e foram estabelecidos diversos acordos com vários subsistemas de saúde e seguradoras.

Para além de desenvolver vários projetos, que, fundamentalmente, passam pela preservação do seu património artístico e arquitetónico (tem um Núcleo Museológico), , na área de apoio social, a Misericórdia desenvolve uma importante e multifacetada ação: tem 2 Centros de Dia (50 e 10 idosos), uma Creche (43 crianças), uma Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (Lar  – 90 utentes) e presta apoio domiciliário.

Tendo Vítor Brandão, médico, como seu dedicado e competente Provedor, para além de ter um numeroso grupo de prestadores de serviços, a Misericórdia emprega um total de 135 trabalhadores e movimenta um orçamento anual que ronda os três milhões de euros.

Sobre a Misericórdia de Arouca pode confirmar-se que é aquilo que se propõe nos Estatutos: associação de fiéis, com personalidade jurídica canónica, cujo fim é a prática das Catorze Obras de Misericórdia, tanto corporais como espirituais, visando o serviço e apoio com solidariedade a todos os que precisam, bem como a realização de atos de culto católico, de harmonia com o seu espírito tradicional, informado pelos princípios do humanismo e da doutrina e moral cristãs.