São precisos “fazedores de um mundo novo”

No Dia Mundial da Paz, D. Pio Alves afirmou na homilia da Missa na Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus serem necessários “verdadeiros atores” que aprendam a viver na escola do Mestre

O bispo auxiliar do Porto, na homilia da Missa na Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, começou por recordar que “a unidade assenta no mistério eucarístico, no contexto da celebração do nascimento de Jesus: Jesus, o Cristo; Jesus, o Filho de Deus que assume ser humano; Jesus, o Messias, repetidamente anunciado pelos profetas; Jesus, o filho de Maria Virgem; Jesus, verdadeiro homem e verdadeiro Deus; Jesus, que inaugura tempos novos, novos céus e nova terra (cf Is 65, 17); Jesus “o Príncipe da Paz” (cf Is 9, 5)”.

D. Pio Alves assinalou que o Menino Jesus traz em si “as marcas da pobreza” apresentando-se “envolto em panos e deitado numa manjedoura”. “Este Menino é verdadeiramente menino, “nascido de mulher”, como nos recorda S. Paulo (Gal 4, 4-7). E, por isso, quis contar – quer contar – com todas as imprescindíveis colaborações humanas. Mas sempre com caraterísticas pouco habituais: a simplicidade, a humildade, a pobreza”.

O bispo auxiliar do Porto recordou a cena do presépio: Maria “sempre virgem, jovem, humilde, pobre” que “meditava” dando “continuidade ao mistério que conservava no seu coração”; “José: que estava, no seu silêncio fecundo”; “os pastores: temerosos, mas abertos a escutar; prontos para a busca e para o anúncio”. E o Menino Jesus que “no centro, quase oculto como para não nos incomodar” – assinalou.

Estas são “algumas das maravilhas do verdadeiro Natal” – frisou D. Pio Alves – “que só não é mais belo; que só não é mais esperançoso; que só não é mais harmonioso; que só não é mais de todos e para todos, porque alguns o cercamos com os muros do nosso egoísmo, da nossa suficiência, da nossa indolência” – afirmou.

Citando a Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz que aponta virtudes como “a justiça, a equidade, o respeito mútuo, a sinceridade, a honestidade, a fidelidade”, D. Pio Alves sublinhou que para que tudo isto seja possível são precisos “verdadeiros atores” que sejam “fazedores de um mundo novo, que queiram aprender e viver a escola do Mestre”.

“Repensar o Mundo, a Sociedade, a Igreja, a Paz como um todo não é o mesmo que idealizar um programa para que outros o cumpram. A verdadeira novidade de vida começa em cada coração” – disse ainda o bispo auxiliar do Porto na sua homilia salientando que “redescobrir na verdade das pessoas, das relações, do poder e das coisas a raiz da Paz é um excelente projeto pessoal e social”.

No final da sua homilia, D. Pio Alves  afirmou que “o começo de um novo ano é um bom pretexto para retomar a condição de discípulo e aprender na escola do Mestre. E aí está Maria, a Virgem de Nazaré, Mãe de Deus e Mãe de cada um, a explicar o sentido de cada traço, de cada letra”.