Domingo XXV do Tempo Comum

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Leitura do Livro da Sabedoria Sab 2, 12.17-20

«Condenemo-lo à morte infamante» 

Salmo Responsorial Salmo 53 (54)

O Senhor sustenta a minha vida.

Leitura da Epístola São Tiago Tg 3, 16 – 4, 3

«O fruto da justiça semeia-se na paz para aqueles que praticam a paz» 

Aclamação ao Evangelho  cf. 2 Tes 2, 14

Aleluia.

Deus chamou-nos por meio do Evangelho, 

para alcançarmos a glória 

de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos  Mc 9, 30-37

«O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, que vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará» 

«Quem quiser ser o primeiro será o servo de todos» 

Viver a Palavra

Caminhamos com Jesus como aprendizes na escola da arte de amar e vemos o Mestre fazer-se presente e próximo das nossas dúvidas, anseios e desejos tantas vezes marcados pelos nossos esquemas calculistas e ambiciosos. Jesus é o pedagogo paciente que uma vez mais anuncia a vontade do Pai: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, que vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará». Repete pela segunda vez e ainda há-de comunicá-lo no Evangelho de Marcos uma terceira vez. Jesus anuncia novamente o desígnio do Pai porque o que é importante deve ser repetido e nós como os discípulos precisamos de o ouvir de novo, porque temos dificuldade em acolhê-lo. A nível antropológico repete-se o que é essencial e vital e a nível teológico a repetição reformula o acontecimento fundamental da salvação.   

Surpreende-me sempre este espanto e escândalo dos discípulos e ainda mais o medo de interrogar Jesus. Eles caminham com Jesus desde a Galileia, viram os seus milagres e prodígios: os cegos a ver, os coxos a andar, a filha de Jairo a ressuscitar, uma multidão saciada com cinco pães e dois peixes… Escutaram as Suas palavras cheias de amor e misericórdia e contemplaram o modo como Jesus acolhe aqueles que vêm ao Seu encontro. Contudo, homens como nós, os discípulos têm dificuldade em escutar até ao fim. Jesus não disse apenas que irá sofrer e morrer, anuncia também que, três dias depois de morto, ressuscitará. Contudo, estamos diante da linguagem nova do amor que aparece incompreensível aos nossos ouvidos e conceitos.

Jesus é o Servo fiel e obediente à voz do Pai a quem armam ciladas «porque incomoda» e a quem querem matar para verem «se as Suas palavras são verdadeiras». Jesus faz ecoar na Sua vida as palavras do salmista: «o Senhor sustenta a minha vida» e caminha confiante, fiel e obediente ao projecto do Pai.

A Sua vida entregue é o convite a superar os nossos desejos de grandeza, pois tantas vezes como os discípulos perdemo-nos e ocupamo-nos em discussões inúteis, tal como nos recordava o Papa Bento XVI: «nós, que somos pequeninos, aspiramos a parecer grandes, a ser os primeiros; enquanto Deus, que é realmente grande, não tem medo de se humilhar e de se fazer último». Por isso, Jesus não os repreende, mas como o pai de família senta-se com eles para lhes recordar a nova lógica do amor, da humildade e da bondade e não se limita a fazê-lo com palavras: «tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a». Jesus conhece no silêncio as preocupações dos discípulos e está atento aos seus anseios e sonhos. Jesus irrompe na nossa vida e convida-nos a perder para ganhar e cala os nossos jogos de interesses com a serenidade da humildade. Jesus, abraçando-nos como crianças, pois ainda temos tanto para aprender, ensina-nos que «na corrida do amor chega primeiro quem se esqueceu de si para que os outros também cheguem».

A nova lógica do amor impele-nos a sair de nós próprios para acolher o outro e inscreve a nossa vida na verdadeira sabedoria de que fala S. Tiago. Sabedoria que vem do alto e que não se compadece de invejas e ciúmes, rivalidades e competitividade, mas se vive pela generosidade, misericórdia, bondade e fraternidade.

 

Homiliário patrístico

São Máximo de Turim (séc. V)

Sermão 48,1-2

“Pela humildade se chega ao reino; pela simplicidade se entra no céu”

Os discípulos perguntaram ao Senhor quem deles seria o maior no Reino dos Céus. Aproximando-se de uma criança, colocou-a no meio deles e disse-lhes: Aquele que se fizer pequeno como esta criança, esse será o maior no Reino dos Céus. Daqui deduzimos que pela humildade se chega ao reino, pela simplicidade se entra no céu. Portanto, quem desejar escalar o cume da divindade empenhe-se por alcançar os abismos da humildade; quem desejar preceder ao seu irmão no reino deve antecipar-se no amor, como diz o apóstolo: estimando aos demais mais do que a si mesmo. Supere-se na afabilidade, para poder vencer-lhe em santidade.

Assim, quem for mais paciente a suportar as injúrias, mais potente será no reino. Porque ao império dos céus não se chega mediante um brilhante título abonado pela grandeza das riquezas, mas mediante a humildade, a pobreza, a mansidão. Quão estreita é a porta e quão apertado o caminho que conduz à vida!

Sugestões litúrgico-pastorais

1. As nossas comunidades são lugares de encontro, proximidade e trabalho conjunto. Frequentemente surgem dúvidas, questões e discussões tal como no grupo dos doze. Ao jeito de Jesus, os pastores e fiéis devem caminhar tendo como horizonte a nova lógica de acolhimento e serviço de que fala Jesus no Evangelho, aceitando o desfio de S. Tiago de abraçar a sabedoria que vem do alto e é fonte de paciência e misericórdia para que o nosso modo de ser comunidade seja testemunho da alegria de ser cristão.   

  

2. Jesus «tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a». De olhos fixos em Jesus, aprendemos a arte de amar e acolher para sermos discípulos missionários. Ser comunidade cristã é não viver apenas centrados em si próprios, mas vivendo como discípulos, estando atentos ao mundo e à realidade à nossa volta, numa atitude de evangelização e missão. Os frutos da nossa acção serão marcados por esta atitude de acolhimento que ao jeito do abraço largo e terno de uma criança anuncia a beleza de ser filho de Deus.

3. Para os leitores: a primeira leitura é uma longa declaração dos ímpios. Deste modo, os leitores devem ter em atenção a introdução – «disseram os ímpios» – o discurso directo que se segue. Na segunda leitura deve haver especial cuidado na enumeração das características da sabedoria. Um especial cuidado deve também ter-se nas afirmações finais que se estabelecem uma causa e efeito que deve ser clara na leitura. 

Sugestões de cânticos

Entrada: Eu sou a salvação do meu povo, F. Lapa (BML 138-139); F. Santos (CEC II, p. 117-118) Salmo Responsorial: O Senhor sustenta a minha vida, M. Carneiro (SRMC B, p. 130-131) Aclamação ao Evangelho: Deus chamou-nos por meio do Evangelho, M. Faria (NCT 239); Ofertório: Tudo o que pedirdes na oração, C. Silva (CEC II, p. 52) Comunhão: Quem quiser ser o primeiro, F. Santos (XXX ENPL, p. 30) Final: Bendito Deus nosso Pai, Az. Oliveira (XXVII ENPL, p. 22-23)