IX Encontro Mundial das Famílias. Papa: “sois a esperança da Igreja e do mundo”

Na Festa das Famílias na Irlanda, Francisco recordou as palavras-chave para a paz na família: desculpa, por favor e obrigado. Sublinhou o valor do perdão e a importância dos avós

Por Rui Saraiva

Neste sábado dia 25 de agosto, o Papa Francisco esteve com dezenas de milhares de casais e famílias num momento muito significativo do IX Encontro Mundial das Famílias. Foi a Festa das Famílias no Croke Park Stadium em Dublin na Irlanda.

O Santo Padre afirmou no seu discurso que a família é a esperança da Igreja e do mundo: “vós, famílias, sois a esperança da Igreja e do mundo!”

Foram vários e intensos os testemunhos de famílias que apresentaram experiências de vida matrimonial e familiar, vividas em várias partes do mundo. O Papa referiu-se a estes testemunhos proferindo um discurso continuamente aplaudido pela multidão presente no estádio.

Francisco considerou a Festa das Famílias como uma verdadeira “celebração familiar de ação de graças a Deus pelo que somos” – disse o Papa – “uma única família em Cristo, espalhada pela terra”.

O Santo Padre defendeu o Batismo das crianças em tenra idade para que façam parte, desde pequeninas, da grande família de Deus. O Papa salientou que o “Evangelho da família é, verdadeiramente, alegria para o mundo”, pois nas “nossas famílias, sempre se pode encontrar Jesus” que “lá habita, em simplicidade e pobreza, como fez na casa da Sagrada Família de Nazaré” – assinalou.

Todos os membros da família são chamados à realização do amor com gestos simples e humildes, em particular, na vivência da escuta, da compreensão e do perdão. Francisco recordou as três palavras-chave para a paz na família que permitem superar o orgulho e o isolamento:

“… precisamos de aprender três palavras: «desculpa», «por favor» e «obrigado».”

O Papa recordou que, antes de ir dormir, é importante fazer a paz na vida de casal. “Perdoar significa doar algo de si mesmo. Jesus perdoa-nos sempre. Com a força do seu perdão, também nós podemos perdoar aos outros, se o quisermos de verdade” – disse ainda o Papa salientando que os filhos aprendem a perdoar quando veem os seus pais perdoarem-se entre si.

O Santo Padre falou também das redes sociais, fazendo referência ao testemunho de um casal da Índia, e pediu que as novas tecnologias sejam usadas com “moderação e prudência” pois podem “contribuir para a construção duma rede de amizade, solidariedade e apoio mútuo”.

Recordando a Exortação Apostólica “A alegria do amor”, o Papa, referindo-se ao testemunho de uma família com dez filhos, sublinhou que o “amor conjugal” é caraterizado pela “fidelidade, indissolubilidade, unidade e abertura à vida”.

Os mais de cinquenta anos de matrimónio do casal Aldo e Marisa, dados a conhecer no seu testemunho, foram o estímulo para o Papa reafirmar, mais uma vez, que “uma sociedade que não valorize os avós é uma sociedade sem futuro”.

“Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, criou a humanidade à sua imagem para fazê-la participante do seu amor, para que fosse uma família de famílias e gozasse daquela paz que só Ele pode dar. Com o vosso testemunho do Evangelho, podeis ajudar Deus a realizar o seu sonho. Podeis contribuir para aproximar todos os filhos de Deus, para que cresçam na unidade e aprendam o que significa, para o mundo inteiro, viver em paz como uma grande família” – declarou o Papa no final da sua intervenção, sublinhando que fez entregar a todas as famílias, ali presentes, uma cópia da sua Exortação Apostólica “A alegria do amor” para que seja uma espécie de guia para a vivência do Evangelho da Família.