Papa afirma que o amor é incompatível com a idolatria

Francisco retomou na quarta-feira dia 1 de agosto as audiências gerais após a pausa de verão. Na Sala Paulo VI, o Papa, na sua catequese, falou sobre o primeiro dos Dez Mandamentos – «Adorar a Deus e amá-Lo sobre todas as coisas». O Santo Padre declarou que este Mandamento proíbe a idolatria , que consiste em divinizar o que não é Deus.

Publicamos aqui um resumo da catequese do Papa disponibilizado pelo site oficial da Santa Sé:

“O que é um «deus», no plano existencial? É aquilo que está no centro da minha vida e do qual depende tudo o que faço e penso. O ser humano não consegue viver sem estar centrado em qualquer coisa. Qual é então o meu Deus? É o Deus-Amor Uno e Trino ou a minha imagem, o meu sucesso pessoal, a minha carreira? Não faltam ídolos… Como se chega à idolatria?

Primeira fase: um certo objeto, um sonho ocupa-nos a cabeça até ao ponto de se tornar uma fixação, uma obsessão; por exemplo, considerar o carro, o telemóvel ou a carreira como o meio para me realizar, dando resposta às minhas necessidades essenciais. Então falo disso, penso nisso e tudo passa a estar em função de tal objetivo.

Numa segunda fase: prostramo-nos diante do ídolo e sacrificamos-lhe tudo. Na antiguidade, faziam-se sacrifícios humanos aos ídolos, mas hoje também: pela carreira, sacrificam-se os filhos, transcurando-os ou nem os gerando sequer; as estruturas económicas, para ter maiores lucros, sacrificam vidas humanas.

E assim se chega à terceira fase: servi-los. Prometem a felicidade mas não a dão e acabamos por viver à espera dum resultado que nunca chega: é como uma voragem que me engole vivo. Os ídolos prometem vida, quando, na realidade, a tiram; o Deus verdadeiro não pede a vida, mas concede-a.

O Deus verdadeiro não pede filhos, mas entrega o seu Filho por nós. O Deus verdadeiro não oferece uma projeção do nosso sucesso, mas ensina a amar. Os ídolos lançam hipóteses de futuro e fazem desprezar o presente; o Deus verdadeiro ensina-nos a viver na realidade de cada dia.”

No final da audiência geral, na saudação aos peregrinos presentes na Sala Paulo VI, o Santo Padre dirigiu-se especialmente aos acólitos portugueses que estão a participar no Encontro Internacional e encorajou-os a apostarem em ideais grandes de serviço, que engrandecem o coração e tornam fecundos os talentos de cada um. “Confiai em Deus, como a Virgem Maria” – disse o Papa Francisco.