Escola Diocesana de Ministérios continua a sua missão

O Centro de Cultura Católica, através da sua Escola de Ministérios Litúrgicos, que integra o Curso de Música Litúrgica, apresentou na noite de sábado, 1 de julho, na cripta da igreja paroquial da Rio Tinto, onde está instalado o órgão de tubos que a paróquia adquiriu à Escola das Artes da Universidade Católica (Porto), a sua habitual sessão de encerramento do ano letivo, um concerto de coro e órgão dos alunos daquele curso.

O Diretor do Centro, Cónego Adélio Abreu, apresentou o evento no seu signifi cado e alcance, recordando nesta circunstância o acontecimento triste do falecimento recente, em 23 de junho, de António Mário Costa, professor daquele Centro e que cada ano era o responsável pela direção do Coro nesta apresentação. Como forma de homenagem, o coro apresentou, em extra programa, o motete de Pierluigi da Palestrina (1525-1594), “Sicul cervus desiderat”, vincando o sentido da sua letra: “Assim como o veado anseia pela água viva”, tantas vezes dirigido também por António Mário Costa, momento de expressividade e emocionada memória saudosa.

É de realçar o sentido e alcance do trabalho desenvolvido por este curso, que reúne participantes de vários pontos da diocese e cuja missão é preparar, técnica e doutrinalmente, diretores de coros, salmistas e organistas para a liturgia nas celebrações da Igreja. As propostas da Escola pretendem conjugar a formação bíblica e litúrgica com uma preparação técnica e de valor artístico, na música e no uso da palavra ao serviço das comunidades cristãs.
O concerto revelou a efi cácia da preparação dos organistas, com a execução de composições de alguma dificuldade, usando todos os teclados do órgão, com realce para a conhecida e tantas vezes apresentada em concertos de órgão, a “Tocata e fuga em ré menor” de J. S. Bach (1685-1750), por Diogo Manuel Soares Rosa, que meritoriamente teve a coragem de abordar a obra, mesmo sem dispor de um órgão grandioso, conseguiu vencer as difi culdades e transmitir a riqueza e a força da composição, o que aconteceu também com outras peças de bela expressividade, de que se pode realçar “Incantation pour un saint (encantamento para um santo” de J. Langlais (1907-1991), em estilo moderno, por Pedro Miguel da Silva Ferreira.

Merece todo o reconhecimento o trabalho desenvolvido pelos orientadores e professores dos cursos. As interpretações do coro foram dirigidas por Daniel Ribeiro, também ele organista, professor de Harmonia, Coro e Direção Coral da Escola.

De registar a presença dos professores do curso Filipe Veríssimo e Tiago Ferreira, reconhecidos como valores cimeiros da música sacra na cidade do Porto e com atuações em países estrangeiros, que integram o corpo docente da escola. Recordamos que Filipe Veríssimo é o maestro do Coro Polifónico da Lapa e Tiago Ferreira, que acompanhou pessoalmente as interpretações dos organistas, é maestro do Coro da Sé Catedral do Porto.
Saúda-se o coro da Escola de Música, de bom número de executantes (cerca de trinta) e que denotou boa qualidade de interpretação.

Um aspecto a realçar também é a seleção de cânticos, que reuniu composições e autores de música sacra de reconhecido mérito: Fernando Lapa, John Rutter, A. Ferreira dos Santos, Carlos Silva, Manuel Faria, Eugénio Amorim. A novidade neste tipo de interpretações foi a introdução do acompanhamento e diálogo entre as vozes e o órgão, valorizando as composições e apoiando as interpretações corais. De facto, nas realizações concretas dos cânticos nas comunidades, o apoio do órgão torna-se geralmente um elemento que permite maior se
gurança nas interpretações, em situações em que a polifonia “a capella” nem sempre é possível. Importante é que os acompanhamentos organísticos sejam rigorosos e executados por instrumentistas que atendam ao rigor e correção da linguagem musical.

Fica aqui também um apelo a que as comunidades cristãs valorizem ainda mais estas iniciativas e que se empenhem em estimular os numerosos dos seus elementos que participam habitualmente nas missas a que se abram à sua própria formação: quem frequentar um curso de salmistas ou de organistas transforma indubitavelmente a sua capacidade de interpretar e valorizar a música litúrgica.

Felizmente dispomos ao longo do país e das comunidades cristãs de muita gente que se empenha em valorizar as celebrações. Oxalá que possam assumir as dinâmicas da sua formação. Dispomos igualmente de compositores e composições de qualidade interpretativa que importa valorizar, em lugar de composições pobres de texto e de sentido musical duvidoso.

Reconhece-se assim que o concerto constituiu um momento de abertura da Escola à comunidade diocesana, concretamente na paróquia de Rio Tinto. Esta é uma intenção que desde há vários anos a direção do Centro de Cultura Católica tem privilegiado: que as audições fi nais de cada ano se realizem em distintas paróquias, nas quais estão instalados órgãos de tubos, revelando assim os frutos do trabalho dos alunos, dando a conhecer a formação ministrada na Escola e a sua potencial repercussão nas comunidades da Diocese do Porto.