Acólitos Ministrantes

Por S.D.L.

O latim eclesiástico tem 2 termos bem diferentes que em Portugal traduzimos por «acólito»:

a) Acolythus. Até Paulo VI era uma «ordem menor» por comparação com as ordens «maiores», conferidas pelo Sacramento da Ordem. Após a entrada no «clero», significada pelo rito da tonsura, os candidatos às Ordens Sagradas tinham de subir vários «degraus» antes de acederem ao ministério sagrado: ostiariado (o ostiário era o “porteiro”; competia-lhe um serviço de acolhimento e vigilância), leitorado, exorcistado, acolitado e subdiaconado. O «acolitado» era, portanto, conferido exclusivamente a «clérigos», normalmente candidatos ao sacerdócio. Após o II Concílio do Vaticano, Paulo VI reformou esta disciplina, aboliu a tonsura como rito de entrada no clero e reteve apenas duas das antigas «ordens menores» transformando-as em «ministérios laicais instituídos» conferidos pelo Bispo a fiéis leigos do sexo masculino mediante um rito litúrgico de «instituição» (Paulo VI, Carta Apost. motu proprio Ministeria Quaedam de 15 de agosto de 1972).

b) Paulo VI, na referida Carta Apostólica, reconhece que muitas das funções ligadas às ordens menores «eram, na realidade, também desempenhadas por leigos, como aliás ainda agora acontece». Assim aconteceu com as funções dos Acólitos – minoristas ou leigos instituídos num ministério – que, na prática, eram e são habitualmente desempenhadas pelos chamados «ministrantes»: este é o 2º termo. Em Portugal, aos ministrantes, generalizou-se o costume de lhes chamar, indiscriminadamente, «acólitos». Isso pode dar azo a alguns equívocos em que importa não cair. Assim, ao ler os documentos do Magistério da Igreja, devemos sempre esclarecer se o que se diz sobre os «acólitos» se aplica exclusivamente aos «acólitos instituídos» ou se é extensivo aos «acólitos ministrantes»…

Tradicionalmente, para designar os «ministrantes» usavam-se outros termos:

– Na Alemanha e Áustria são chamados Messdiener isto é “Servidores/ajudantes do Culto Divino (em especial da Missa);

– Na Itália são chamados chierichetti, isto é, “pequenos clérigos“.

– Na Espanha são chamados monaguillos, isto é, “pequenos monges”.

– Na língua inglesa o ministrante é altar server, isto é, “servidor do altar”.

– Em francês o termo tradicional era enfant de chœur (menino do coro). Assim também se dizia, outrora, em Portugal. Quando o encargo era confiado a pessoas mais velhas, nomeadamente seminaristas, usava-se a designação grand clerc, um “clérigo” mais crescido… Atualmente, o termo mais em uso é servant d’autel, “servidor do altar”.

– No Brasil popularizou-se a designação «coroinha».

Comentando brevemente estas designações, parecem de evitar dois inconvenientes:

– O reducionismo infantilista: o serviço de «acólito ministrante» tem como sujeitos fiéis cristãos leigos de qualquer idade. Por razões históricas e pedagógicas começa por ser exercido por crianças, normalmente após a sua iniciação à Eucaristia. Mas, pela responsabilidade que supõe e promove, é recomendável o seu exercício por jovens e adultos, sem limite de idade.

– O reducionismo clerical. Mesmo desejando que os grupos de acólitos continuem a ser viveiros de vocações sacerdotais e de especial consagração – masculinas e femininas – há que levar cada vez mais a sério o sacerdócio comum dos batizados que se exprime, entre outras formas, por um cada vez mais efetivo direito/dever de participação litúrgica. Não se trata já de suprir a ausência ou insuficiência de clérigos mas de assumir em plenitude a dignidade e responsabilidade cristã laical, por força do Batismo (e da Confirmação).

Superados estes escolhos, importa, ainda, evitar  na leitura dos documentos do Magistério da Igreja Para evitar equívocos devemos sempre esclarecer ao recolher o magistério da Igreja sobre os «acólitos», se se trata de «acólitos ministrantes» ou de acólitos instituídos»…