Procissão do Corpo de Deus a 31 de maio na cidade do Porto

No próximo dia ·31 de Maio, o Cabido Portucalense promove na cidade do Porto a Procissão Eucarística na Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. O percurso será o tradicional: saindo da Igreja da Santíssima Trindade pelas 16h:30, seguirá pela Praça Humberto Delgado, Avenida dos Aliados, Praça da Liberdade, Praça Almeida Garrett e Avenida D. Afonso Henriques, em direcção ao Terreiro da Sé, onde terminará com a Bênção do Santíssimo Sacramento, depois de uma alocução do Sr. Bispo do Porto.

Na procissão integrar-se-á o Povo de Deus em todos os seus matizes, seguindo o Bispo, que as autoridades da Região e da Cidade, emanação da sua população maioritariamente católica, igualmente costumam a acompanhar. A Igreja leva neste dia o ‘’Divino Sacramento”, em festiva e solene Procissão através dos domínios da existência humana. Percorre os caminhos do mundo, onde se joga o destino dos homens. Fá-lo cantando hinos de júbilo e de acção de graças, aspirando o perfume das flores e o aroma do incenso, e celebrando a Morte que abriu o caminho da Vida, proclamando, à face do mundo, a vitória do Ressuscitado em que deseja participar.

Com esta manifestação pública da sua fé, os católicos querem simplesmente anunciar a todos a sua convicção de que Jesus Cristo é o seu único Salvador e que só na Eucaristia ( que é Cristo a percorrer os caminhos do mundo) está o sinal da unidade, o vínculo do amor, a única força capaz de transformar a humanidade, tão ansiosa de união, na única família dos fi lhos de Deus, destinados a viver, em Cristo, na comunhão perfeita com Deus e com os homens. Com intermitências episódicas por motivos circunstanciais, esta procissão realiza-se no Porto desde 1417. Era dispendiosa para a Cidade que a ordenava com pompa e aparato.

Era da Câmara o Pálio que abrigava o Sacramento e era também a Câmara quem nomeava os cidadãos para ir às varas do pálio ou transportar os tocheiros. Em suma: sempre foi um espaço privilegiado de colaboração entre a Igreja Católica e as autoridades do poder local. Hoje, em tempos de saudável laicidade, o Estado e a Igreja estão separados relacionando-se sem confusões nem interferências, no respeito pela autonomia de cada qual na respectiva ordem. Mas, porque a dimensão religiosa tem expressões não só individuais e privadas mas também comunitárias e públicas, e porque os membros da Igreja Católica são também cidadãos da República, com plenitude de direitos, há um vasto campo em que o encontro, diálogo e colaboração, entre o Estado e a Igreja não só é possível como é desejável. A história e a sociologia do Porto “Cidade da Virgem”, confirmam isto mesmo.