Mil Milhões

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Por Joaquim Armindo

Quando tine aos meus ouvidos “mil milhões” começo a perceber que é muito dinheiro. Até já nem consigo converter em escudos. Vá lá quando falam em milhões, não deve ser muito, mas em dezenas de “mil milhões” a minha preocupação começa a elevar-se. Por estes dias soubemos que um banco que já levou alguns “mil milhões”, agora necessita de mais alguns. O Estado – nós todos -, toca a injetar. Já outros bancos necessitaram e o Estado injetou, alguns “mil milhões”. Por este andar parece que vamos ter de pagar muito dinheiro à banca quando esta tem prejuízos, quanto aos lucros, será outra conversa. Mas sei também que ordenados os bancos pagam a algumas pessoas, que nem são trabalhadores bancários, são “tarefeiros” que por uma ação qualquer, bem ou mal sucedida, recebem milhões. Os bancos têm o seu negócio que é colocar a render as poupanças que o nosso povo lá coloca, e daí tirar proveitos; não estou convencido que seja de outra forma.

Tenho ouvido falar num projeto estratégico para eliminar em Portugal os sem-abrigo, parece que até já existiram várias reuniões. Sei bem que os sem-abrigo, mercê das injustiças cometidas, por nós todos, terão os seus problemas, principalmente por verem as suas liberdades coartadas. Isso tem de ser vencido com persistência e paciência. Mas sei, também, que os sem-abrigo dormem, comem e vestem-se. Apanham a chuva ou o frio que não escolhem os sem-abrigo para não importunar. Os sem-abrigo bebem água, se não desidratam, e não podem esperar por “dias melhores”, porque os deles são sempre “piores”.

Ora bem, que tal passar o défice para 1,1% ou em vez dos “mil milhões” para a banca tirar um poucochinho, não sei de uns milhões pequeninos dariam, mas talvez, para dar uma ajuda e Portugal ficar sem os sem-abrigo? Seria pedir muito? Se muitos deles ficassem a trabalhar, sempre descontavam para impostos e haveriam até de diminuir o défice, porque compravam e pagavam IVA, trabalhavam e descontavam para a Segurança Social e IRS. Isto não é ser contra o nosso governo, é pelo menos redimirmo-nos das faltas cometidas e aplicarmos a justiça e a paz. Porra – isto é linguagem à Porto -, só há dinheiro de “mil milhões” para a banca, e há sempre!