Com Cristo, a coragem de uma fé livre e aberta à novidade de Deus

No Domingo de Ramos, na Missa na Catedral, D. António Augusto Azevedo, afirmou que para a Páscoa de Cristo “ninguém está excluído” e “todos são convidados” a caminhar com Jesus

Por Rui Saraiva

Domingo de Ramos “é o pórtico da Semana Santa” – disse D. António Augusto Azevedo no início da sua homilia, sublinhando que todos “somos convidados a viver esta semana maior como a celebração dos mistérios essenciais do cristianismo e a redescobrir a centralidade de Jesus Cristo e da sua Páscoa para a nossa fé”.

A entrada de Jesus em Jerusalém foi o estímulo para o comentário do bispo auxiliar do Porto ao texto sagrado, que assinalou o “acolhimento festivo que a multidão” presta a Jesus propondo a seguinte reflexão para as nossas vidas: “na vida pessoal podemos iludir-nos com entusiasmos fáceis ou triunfos prematuros; em sociedade pode-se resvalar para exaltações precipitadas ou promoções de heróis fugazes e inconsistentes; na vida da igreja podemos tentar-nos por triunfalismos fáceis ou adesões epidérmicas. Mas como discípulos de Jesus que querem estar com Ele e viver com Ele esta Páscoa, entremos com alegria na cidade conscientes de que é preciso ir com Ele até ao fim, porque só então, no rosto do crucificado e no brilho do Ressuscitado se dá a plena revelação do autêntico Messias de Deus. Mais do que número de multidão vibrante, queremos fazer parte do grupo daqueles e daquelas que estão junto à cruz ou da comunidade em que o ressuscitado se faz presente.”

Na Semana Santa somos mergulhados “nas contradições mais profundas com que o homem se confronta”, ou seja, “morte e vida; humilhação e exaltação; solidão e multidão” – lembrou D. António Augusto tendo salientado que “estar com Cristo ao longo dos dias desta semana implica por isso sair de si mesmo e estar disponível para cumprir a vontade do Pai sendo fiel até ao fim, ousando amar e servir até ao limite das suas capacidades. Caminhar com Cristo nesta via sagrada supõe a coragem de uma fé livre e aberta à novidade de Deus.”

«Meu Deus, meu Deus porque me abandonastes?» – diz o salmista na liturgia de Domingo de Ramos, reproduzindo a ´”ultima palavra que Jesus dirige ao Pai do alto da cruz” – recordou D. António Augusto – uma “oração” que exprime a suprema dor do Filho nas mãos do Pai”. “Na celebração da Páscoa afirmamos a nossa convicção de que o Pai que escutou o grito do Filho é o mesmo Deus que não esquece o homem mas acredita nele; não desiste da criatura, obra das suas mãos, antes, pelo seu infinito amor, com ela se compromete até ao fim” – afirmou o bispo auxiliar do Porto.

Para a “Páscoa de Cristo”, “ninguém está excluído” e “todos são convidados” “todos são desafiados a caminhar com Ele; todos são atraídos à sua contemplação na cruz” – afirmou D. António Augusto assinalando que “para a Igreja e para o mundo, cada semana santa é sempre especial, experiência espiritual única porque nos permite celebrar e meditar no mistério infinito do amor de Deus por nós e por todos.”

No final da sua homilia D. António Augusto convidou os fiéis a disporem-se a celebrar intensamente a Eucaristia na Semana Santa:

“Na eucaristia, e como Ele nos mandou, façamos memória viva dessa entrega, afirmando a nossa fé de que comungando o seu corpo e o seu sangue, viveremos por Ele e com Ele passaremos da morte à vida.”