Jovens cristãos animam a Igreja

Por Rui Osório

“Deus é jovem” é o novo livro do Papa Francisco em conversa com Thomas Leoncini, jornalista e escritor italiano.

A obra é publicada esta semana, nas vésperas do Dia Mundial da Juventude, que, este ano, se celebra a nível diocesano no próximo domingo, Dia de Ramos. A publicação coincide também com o encontro, em Roma, com o pré-sínodo em que participam centenas de jovens de todo o Mundo, incluindo três portugueses, para preparar a assembleia do Sínodo dos Bispos, a realizar em outubro próximo para debate do tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

“A juventude não existe”, assim como “não existe a velhice”, diz o Papa Francisco, logo no início do livro “Deus é jovem”. Papa o Papa, o que existe são jovens e velhos, ou seja, “é necessário que uma pessoa se sinta feliz e orgulhosa por ser velha, da mesma forma que é comum o sentimento de orgulho em ser-se jovem”.

O Papa Francisco aborda diversas questões relacionadas com a situação dos jovens na cultura atual e pede-lhes perdão “porque nem sempre os levamos a sério, nem sempre os ajudamos a ver o caminho e a construir os meios que poderiam permitir-lhes não acabarem descartados”. Frequentemente, digo eu, a Igreja não toma a sério os jovens ou o faz com paternalismo, sem lhes reconhecer voz e vez como protagonistas do seu desenvolvimento e da sua alegria cristã.

O Papa quer jovens protagonistas e não vítimas da exploração patronal, do trabalho precário e do desemprego; jovens capazes de dialogar com os idosos e criar raízes, para não andarem ao sabor da cultura líquida e conformista ou da “homologação do pensamento único”, que os torna “todos iguais, fracos e sem identidade”, a viver “dentro de uma bolha”. Sonha com jovens de “pensamento forte”, “genuíno” e “pessoal”.

Sobre o medo de crescer e envelhecer, o Papa Francisco considera “triste que alguém queira fazer um lifting também ao coração”, pois, “com demasiada frequência, são os adultos que fazem de conta que são meninos, que sentem a necessidade de se colocar ao nível do adolescente, mas não percebem que isso é um engano”, e lamenta que existam “demasiados pais com cabeça de adolescentes, que brincam à vida efémera eterna e, com maior ou menor grau de consciência, fazem dos filhos vítimas deste perverso jogo do efémero”. No livro-entrevista, o Papa Francisco explica que quer jovens “em saída”, capazes de testemunhar a alegria do Evangelho, mesmo em locais incómodos e sem medo de “sujar os pés”.

Há quem veja na juventude atual uma geração incrédula, mas isso não significa que todos os jovens sejam indiferentes a Deus ou O neguem. Muitos acreditam e são vivos na sua fé e no testemunho que, a seu modo, dão das razões de esperança que os animam.

Há jovens cristãos com muito carácter!

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